Innntão que ele atravessou a sala em passo firme, veio me olhando nos olhos, segurou minha mão e caminhamos juntos até o centro do salão. Não trocamos uma palavra sequer, apenas seguimos nossos sentidos.
Deu-me sua mão, chegou bem perto do meu pescoço e começamos a dançar. Dançamos juntinhos, curtindo a música, desfrutando cada momento.
Ao final, ele me deu um beijo melado no rosto, olhos nos meus olhos e disse: - Mais “tuco” mamãe! (mais suco mamãe).
Meninas, super obrigada pels emails sobre o post de ontem! É bom saber que tem gente “por perto” para te dar um bom conselho e conforto.
O dia de fúria passou, tive 3 horas livres ontem que ganhei de Mozão. Mozão entende meu drama e ajuda muito nesta nossa estadia fora do Brasil.
Hoje tenho mais 3 horas bônus e resolvi cortar meus cabelos. Já radicalizei há uns 2 meses deixando mais de 20 anos de lourice para trás e me tornando uma verdadeira morena. Hoje quero cortar as longas madeixas para algo mais médio. Ainda não decidi direito, mas estou com espírito de porco...hehehe
Fora isso, vou usar o tempo livre para pesquisar tema e coisinhas de decoração para o niver do Pitico. Pitico faz aniversário só em Abril, mas vamos estar no Brasil para o Natal e Ano Novo, e não queremos outro aniversário com fotos só do pai e da mãe, como se ele não tivesse uma penca de primos e uma família enorme.
Como meus pais moram em uma cidade e os meus sogros em outra, com mais de 400km de distância no meio, resolvemos fazer 2 festinhas de aniversário. Tipo, Pitico vai fazer 2 anos e vai ter 2 festinhas.
Minha mãe disparou na dianteira e já encomendou bolo e docinhos, convidou crianças e está super empolgada. Eu me lembro que ela adorava fazer nossos aniversários, inclusive enrolando docinhos por dias a fio e fazendo o bolo em casa. Depois vinham minhas tias encher balões e meus tios gelar as bebidas e começar o churrasco. Sim, era festa de criança, mas sempre tinha o churrasquinho para os adultos ficarem por perto e se divertirem também.
Estou super empolgada e quero ver a reação do Pitico ao ver tanta guloseima e o povo cantando parabéns. Mal posso esperar.
2:30 da matina, escuto um resmungo vindo do quarto do Pitico. Tento ignorar, mas o resmungo vira um miado que aumenta e está prestes a virar um choro. Do meu lado Mozão meio anestesiado. Levanto bem devagarinho e vou fazer o “cala boca” (vulgo mamadeira da madrugada, Alôoo!! Alguém tem uma dica de como se tira este costume?). Mozão ainda murmura, “-tem que procurar a mamadeira no berço”. E lá fui eu, meio caolha, meio sonâmbula.
4:30 e escuto de novo o miado. Desta vez não, violão. Não tem “cala-boca”. Fico quietinha e começo a conversar com Nossa Senhora (sim, eu sou religiosa, apesar de não acreditar muito na instituição em si). Começo a conversar de mãe pra mãe e parece que ela entende e Pitico se acalma um pouco.
5:20 agora são miados e gritinhos, que vão aumentando. Tenho a impressão de ver a expressão de Pitico, e não ver nenhuma lágrima. Meu corpo está pesado, minha alma mais ainda. O que será? Mozão levanta e tenta descobrir o que se sucede com Pitico.
Voltando um pouco no tempo, há 5 semanas levei Pitico no Otorrino porque ele sempre tinha uma pequena inflamação no ouvido. O médico na época receitou umas bolinhas homeopáticas, um spray para o nariz e solicitou que voltássemos em 5 semanas. Incrivelmente neste período Pitico melhorou consideravelmente. Estava dormindo melhor, de boca fechada, com nariz destrancado. Não sei se foi a homeopatia ou as doses diárias de Yakult.
Pois bem, Segundona, dia de otorrino, vamos Pitico, Teddy e eu para a consulta. O médico achou ótimo a vinda do Teddy porque Pitico prestava muita atenção no que ele fazia com o ursinho e deixava que o médico o examinásse sem problemas. Anaminese feita, veredicto: Pitico tem um acúmulo muito grande de cera no ouvido e precisa ser limpo, pois isto está atrapalhando a audição dele, que consequentemente atrasa o processo da fala. O médico chegou a comentar que ele não ouve barulhos muito baixos, tipo folhas das árvores balançando com o vento, canto de passarinhos, etc. Fiquei muito triste só em pensar que Pitico não ouvia o canto do Kiki. Doutor, innntão nos deu gotinhas para pingar em cada ouvido para amolecer a tal cera e innntão voltarmos em 1 semana para aspirar a gosma restante.
Iniciamos com as gotinhas, a contragosto do Pitico. Segundona, tudo bem. Terça de manhã, tudo bem, nenhuma reação. Mas ontem, terça de tarde, depois de algumas horas da admnistração das gotinhas Pitico se tornou insuportável. Choramingava, gritava, cutucava os ouvidos. Parecia que estava com dor. Porém deixava que eu apalpasse as orelhas. Depois de uma luta para ir dormir, finalmente ele se rendeu ao cansaço ou o Ibuprofeno que dei pra ele fez efeito.
Decidimos que hoje de manhã ele não usaria as gotinhas e observaríamos. Acordou ainda manhoso e com a orelhas quentes e vermelhas. Foi pra escola e veremos como vem mais tarde. Fecha o flashback.
6:41 toca meu despertador, Pitico lambe meu rosto com uma baba gelada. Mozão se enfia embaixo das cobertas e me abraça apertadinho. Pitico chora, faz drama. Não quer que fiquemos juntinhos. Mozão leva Pitico para ver o Kikaninchen.
6:43 volta Mozão sozinho e se enfia de novo embaixo das minhas cobertas. Euzinha que já tinha sido embalada pelo barulho da chuva na janela, apenas reajo meio brava e mal-humorada à uma brincadeira do Mozão. Mozão fica nervosinho e sai.
6:50 vem Pitico e acende a luz do abajur. Eu penso comigo mesmo: “- hoje não é meu dia, eu só queria ficar quietinha, quentinha, relaxar um pouco.” Mas sou interrompida pelo Pitico, que a esta altura já me puxava pela mão, puxava meu edredom e murmurava alguma coisa como “anta”, que quero crer que seja sua pequena palavra para “levanta”. Como eu ainda estou em estado letárgico, e não reajo muito bem a isto, Pitico vai embora reclamando.
6:55 vem Mozão com Pitico e diz que ele quer a mãe. A mãe do Pitico está no inferno. Meu mau humor está escrito na minha testa.
7:06 decido levantar, não aguento mais tanto terrorismo.
8:00 discussão sobre levar ou não Pitico no Otorrino. Problema é que, como eu procurei o problema, eu que estive na consulta, eu que fico caçando confusão teria que esperar até às 9h para levar Pitico no Otorrino. Concordo em esperar, Pitico se encanta com a Vila Sésamo, lembro-me do meu horário no laboratório para tirar sangue, lembro que não posso chegar atrasada. Pitico parece bem. Decido deixá-lo na escolinha. E aviso a professora que se alguma coisa ocorrer é para ela nos ligar imediatamente.
8:35 perco o ônibus
8:45 consigo pegar o ônibus.
9:00 metro
9:20 Laboratório
9:50 finalmente cheguei no escritório, e quem sabe consigo terminar tudo a tempo para sair às 15:30 e pegar Pitico antes das 16:30. Acho que se não sair para almoçar vai dar certo.
Estou aqui escrevendo e pensando em como é complicado ser assim como eu sou. Sou explosiva e nervosa, e com a escassez de tempo para mim, minha ragugisse só tem aumentado. Não é fácil sair de casa com uma criança que já pesa 12kg no colo, carregando bolsa, bota de chuva da cria e o Teddy. Descer escadas, pegar elevador, garantir que Pitico fique com a touca na cabeça, achar a chave do carro, colocar Pitico no chão, pegar guarda-chuva no carro, correr atrás de Pitico, fechar o carro, andar até a escola, trocar Pitico, ler os avisos do dia, correr embaixo de chuva para não perder o ônibus, perder o ônibus, ficar 10 minutos no ponto de ônibus em baixo de chuva e frio.....pensando que tudo teria sido mais fácil se eu não fosse tão inquieta, reclamona e preocupada com as possíveis doenças que Pitico possa ter.
A ignorância não deve ser tão ruim assim, pois a pessoa não sofre nem por antecipação e nem depois do fato. Não há dúvida, não há responsabilidade, não há correria. Somente o doce saber de desconhecer.
Eu simplesmente estou a um passo de ter um colapso. Não sou boa para minha casa, não sou boa para meu marido, não sou boa para meu filho. Não estou dando conta de tudo. É o freezer que eu não arrumei, as roupas que não guardei, a dor nas costas ao pegar Pitico, a dor no estômago em pensar em como eu gostaria que fosse diferente, é a falta de tempo para mim, a falta de compreensão de mim mesma e a insatizfação comigo mesma.
Enfim, post longo, mal-humorado e cheio de dúvidas.
Innntão que finalmente tivemos o dia da Lanterna. A tarde-noite estava limpa, sem chuva e muito fria. Chegamos pontualmente as 16h30 na escolinha como combinado e encontramos um mar de pais esperando na porta. As crianças ainda estavam lanchando as guloseimas que levamos pela manhã. Euzinha acordei bem cedo e fiz pães de queijo e treinei Pitico durante todo o caminho da escola para fazer “hummmm” para os pãezinhos da momy (alemão nunca comeu pão de queijo brazuca e quando a gente explica que é um tipo de “Käsebrotchen” eles pensam que é uma baguette assada com queijo por cima e não que o queijo esteja já na massa). Pitico bem treinado entregou os pãezinhos à professora fazem o “hummmm”, meu coração pulou mais rápido e fiquei feliz por ter um comparssa. Meu trabalho foi reconhecido e as professoras elogiaram o sabor diferente do meu pão de queijo.
Finalmente alcançamos nossa cria que chorava por algum motivo....acalma daqui, mostra o Teddy de lá até que ele ganha a lanterna dele da escolinha. Uma espécie de passarinho, meio esquisito, mas tinha sua graça. Mais um pouco de choro, pois ele ganhou uma esverdeada e um coleguinha ganhou uma amarelada. Acalma mais um pouco, mostra uma coisa, mostra outra, ufa, conseguimos vestí-lo e sair da muvuca.
Já lá fora, ficamos junto com outros pais e outras crianças aguardando pelo resto da tropa. Nesta altura Pitico não queria saber do pai, nem do Teddy e muito menos das suas duas lanternas. Enquanto a maioria das crianças ficavam, obedientes, com seus pais, posavam para fotos com a lanterna, explicavam coisas numa língua incompreensível que nem os próprios pais sabiam do que se tratava(que bom que não é só Pitico que fala a língua enrolada que ninguém entende), Pitico corria entre a multidão de um lado pro outro, nem aí para o evento em si.
Euzinha tentava em vão tirar alguma foto dele. Mozão se encarregou de carregar as lanternas e o Teddy e se certificar que Pitico não corresse para a rua. Trabalho inútil o meu, nem uma boa foto. Por algum motivo, que minha inteligência desconhece, a máquina estava muito lenta, e quando batia a foto, pummm o momento já tinha passado. Praticamente todas as fotos estão somente com as costas do Pitico. Uma pena.
Começa a romaria. A idéia era dar a volta no quarteirão e terminar na pracinha da igreja onde haveria uma pequena comemoração e aí sim a grande romaria. Preciso dizer que tudo estava tão lindo, tanta gente junta, tanta lanterna, o coral cantando, adultos com tochas, uma coisa linda, e ao mesmo tempo que eu pensava que isto é uma tradição quase milenar, meu coração pulsava mais rápido.
Muiiito frio, Pitico inquieto com a touca, com a luvas, incomodado e incomodando, resolvemos sair à francesa e ir para casa levando na nossa recordação um espetáculo que a máquina fotográfica não conseguiu registrar.
Innnntão que há 3 meses Pitico começou a falar “cocô” antes de fazer. Nos empolgamos e corremos comprar um piniquinho para incentivá-lo. Sonhávamos com o processo de desfraldamento, e a economia na compra de fraldas, na diminuição de coisas para carregar na mala, etc...Não funcionou. Pitico continua pedindo, mas se recusa a ficar sentadinho esperando. Estou tentando o método visual, onde se joga a produção no piniquinho, explica, joga o conteúdo do piniquinho no vaso sanitário, dá tchau e aperta a descarga. Por enquanto Pitico gosta da parte de dar tchau e apertar a descarga....
Porém, como Pitico é filho de engenheiro com relações públicas, ele não poderia ficar sem nenhum projeto. Colocamos o projeto Desfraldamento “on hold” e começamos o projeto Desachupetamento (esta palavra não existe, criei agora, e significa largar a chupeta).
Tudo começou porque Pitico tinha uma chupeta na escolinha onde a orientação era dar somente para dormir. Todas as crianças da escolinha têm uma caixinha de papelão devidamente nominada. Esta caixinha serve para deixarmos a touca, cachecol, bilhetinhos e o Hausschue (aqui se usa um sapatinho especial para dentro de casa, que serve, teoricamente, só para andar dentro de casa). Percebi que Pitico começou a ter perebas na boquinha durante a semana, que nós curávamos nos fins de semana. Não precisei pensar muito para chegar a conclusão que as tais perebinhas no queixo vinham da chupeta da escolinha.
Como uma pessoa asseada que minha querida mãezinha me ensinou a ser, resolvi providenciar um potinho plástico para deixar dentro da caixinha do Pitico para que a tal chupeta não ficasse dançando por lá (mentira, isso foi o que eu disse para as professoras, na verdade eu não gostava de ver uma chupeta largada dentro de uma caixa de papelão onde se colocava de tudo um pouco, e comecei a desconfiar se estavam lavando a chupeta antes de dar pra ele). Como o povo aqui acha tudo isso um absurdo e pega no pão com a mesma mão que faz o troco do dinheiro (argh!) o mesmo se sucedeu com a chupeta do Pitico. O potinho não teve uso e a dita cuja rolava na caixinha junto com o tal Hausschue que começou a aparecer sujinho de andadas pelo pátio.
Primeiro comecei a lavar a chupeta todas as tardes e colocar dentro do potinho, meio que querendo dar a entender que este é o processo higiênico. Meu aviso subliminar foi totalmente ignorado, a chupeta dançava sabe Deus por onde, e Pitico continuava a ter perebas na boca. Num ato de fúria em uma sexta-feira resolvi levar a chupeta embora comigo e decidi não trazer mais de volta.
Conversei com Mozão que concordou que não custa nada ter um pouco de higiêne e já que não conseguiam colocar uma chupeta dentro de um potinho plástico teriam então que encontrar outro meio de acalmar Pitico e colocá-lo para dormir. Soa um pouco sádico de nossa parte deixar Pitico sem chupeta chorando na escola, e até concordo um pouco que seja, mas temos a opinião de que se não está fazendo bem, melhor cortar o mal logo pela raiz e como ele ainda é pequeno, acreditamos que o trauma vai ser menor (esperamos e rezo por isso).
Resultados, há 3 dias Pitico dorme na escolinha sem chupeta, não tem perebas na boca e ontem consegui sair com ele de carro sem levar nenhuma chupeta comigo. Tá certo que ele resmungou, mas cantei, mostrei os pássaros na rua e estou usando o momento Teddy para justificar e explicar tudo. Pausa para explicar o momento Teddy: desde ontem Pitico se apegou com um ursinho de pelúcia que chamamos de Teddy. Quis levá-lo para escolinha ontem, mostrou as coisas no caminho pra ele, hoje acordou querendo dar café da manhã para o Teddy, fez o Teddy fazer cocô no piniquinho, limpou o bumbum do Teddy...enfim, tudo que eu quero que Pìtico faça, explico primeiro pro Teddy e então tem sido mais fácil.
Hoje é o dia da Lanterna e espero que tenhamos uma bela noite, sem chuvas, para poder tirar fotos do Pitico com suas 2 lanternas (sim 2, porque uma mãe preguiçosa disse que era melhor a escolinha fazer a lanterna porque ela não tinha tempo, e a escola fez, igual para todas as crianças e só me avisaram esta semana. Como a lanterna do Pitico ficou linda e fui euzinha quem fez, ele vai carregar 2 lanternas!). Quanto à chupeta, espero que continue funcionando e realmente quero crer que não estão dando uma chupeta de outra criança para ele dormir.
Innnntão que estive um pouco fora de órbita nestes últimos dias. Tudo começou com uma leve febre do Pitico, que evolui para uma tosse assutadora, e depois vieram manchinhas pelo corpo, e a febre subiu, e a tosse aumentou...
Numa segunda-feira Mozão levou Pitico ao Pediatra, que estava de férias e tinha uma substituta que mais parecia uma estagiária, que como sempre, recomendou que observássemos, oferecessemos muito líquido e ar fresco. Mozão me ligou revoltado, e no mesmo dia resolvi buscar um novo pediatra. Lembrei de um que visitamos enquanto ainda estava grávida (é, eu sou freak planner) e que na época nos agradou bastante, mas ficava um pouco mais longe de nossa casa. Liguei, expliquei o caso, e pasmem, a simpática atendente nos encaixou para o mesmo dia no fim da tarde.
Fim de tarde lá fomos Pitico e eu para o novo Pediatra. Ficamos em uma salinha separada, porque os sintomas pareciam Rubéola. Medico availou, mexeu, cutucou, olhou, e tum: Bronquite Asmática. Ok, a tosse estava explicada e a febre. E eis que o Doutor me surpreende e diz, ela me preocupa e temos que investigar. Por hoje leve esta receita para a bronquite, e volte em 2 dias, e caso a febre não ceda, volte imediatamente. Agendamos uma consulta para a quinta-feira e sai mais confiante, porque ele não me receitou água e ar fresco, e ainda por cima me mandou voltar e disse que a febre o preocupava. Para você entender, nem sempre os médicos usam estas expressões por aqui para evitar proximidade.
Na quarta-feira Pitico ainda tinha pintas pelo corpo, e a febre não cedia. Ahh, as pintinhas era reação a uma overdose de antibióticos tomados duas vezes no mesmo mês. Liguei para o novo Dr, já aguardando um típico “Es muss sein” (tem que ser assim), algo que dizem para os pais tentando convencer que a febre é algo normal. Tá, é normal até um certo grau, mas depois dos 40 graus não é nada normal. Eis que ele estava em consulta e a simpática atendente pegou meu telefone promentendo que ele ligaria de volta. Pensei ahhh tá que ele vai ligar de volta. E não é que ele ligou? Procurou me acalmar, fez várias perguntas e me disse que enquanto o medicamento contra a febre estivesse fazendo a febre abaixar, eu não tinha motivos para me preocupar. MAS, ele queria trocar a consulta do Pitico para o dia seguinte em um horário mais cedo, pois ele queria fazer um exame de sangue. EXAME, esta palavra soou como música em meus ouvidos. Até hoje, ninguém nunca tinha se prontificado a fazer um exame no Pitico e determinar a causa do problema, apenas receitavam água e ar fresco, ou já metiam um antibiótico.
No dia seguinte, lá fomos nós para o tal exame de sangue. Pitico feliz da vida, sem saber o que lhe esperava. E já bem melhor das pintinhas e da tosse. Exames feitos, o Dr. me pediu para ligar no fim da tarde para saber o resultado, porém, temendo que fosse alguma bactéria e tentando economizar minha ida novamente ao consultório já me passou uma receita que somente deveria ser usada após os resultados dos exames ficarem prontos.
17h15 ligo eu para o consultório, conforme combinado. Não, os exames não ficaram prontos ainda, disse-me a simpática atendente (ela é realmente simpática), já prontamente confirmando meu telefone para que o Doutor me ligasse de volta. 20h35 toca o telefone e pensei ser qualquer pessoa, menos o tal do doutor. Vocês acreditam que ele me ligou, explicou o resultado dos exames e disse que não tínhamos motivo para nos preocupar porque era algo viral e não necessitava de medicamento. Enfatizou que pelo tempo que Pitico vinha tendo febre, ele deveria melhorar nas próximas horas, e em caso negativo me deu ceu celular. CELULAR = telefone pessoal!!! Pitico realmente melhorou totalmente da febre e das pintinhas em cerca de horas. Sobre a bronquite, fizemos ali mesmo, já 8 horas da noite passadas, um agendamento da próxima consulta de revisão, que ficou marcada para esta quinta-feira.
Sexta-feira, 10h da manhã, toca meu celular e uma voz já conhecida me pergunta se eu quero que os certificados médicos sejam enviados pelo correio ou se eu quero passar no consultório para buscá-los (aqui você precisa de um atestado médico dizendo que a criança está apta e sadia para voltar para a escolinha, e um atestado médico para a empresa dizendo que a mãe, ou o pai, ficou em casa com a criança do período tal a tal, para que não seja descontado do salário do pobre coitado). Alô? Sabe quando que a secretária do antigo pediatra faria isso? Só não me senti no Brasil porque a secretária simpática não falava português.
Mozão estava viajando, mas por conta deste serviço maravilhoso apresentado, euzinha tomei a decisão sozinha: Pitico oficalmente tem um novo pediatra! Agora só falta preencher a burocracia alemã, uns papéis aqui e outros acolá para que os prontuários do Pitico migrem do antigo médico para o Dr. Wunderbar (aqui todo o sistema de saúde é integrado, e por isso você precisa de tal burocracia para manter os arquivos em ordem).
Innnntão que temos um Gourmet em casa. Mozão e eu sempre gostamos de boa comida, pois ambos viemos de famílias onde se cozinha muito e bem. Claro que com o Pitico não seria diferente. O indivíduo já sabe o que gosta, o que quer e principalmente quando quer.
Quando eu era mais nova sempre tinha em mente que eu deveria aprender a cozinhar porque eu sofreria muito se um dia tivesse filhos e eles só comessem comida congelada porque a mãezinha deles não sabia fazer nada na cozinha. Eu até imaginava o diálogo dos rebentos na escolinha>
- Ontem minha mãe fez uma lasanha que estava uma delícia (este era o coleguinha contando do jantar maravilhoso da sua mãe dona de casa perfeita)
- Ahh, ontem teve lasanha congelada, de novo. É que a minha mãe não se dá muito bem com a cozinha, mas se entende direitinho com o freezer e o microondas (este era minha pobre cria, sentindo vergonha, mas ainda amando a mãe que tinha e se justificando, coitadinho. Engraçado, nos meus sonhos sempre tive meninos, profecia?)
Eis que ontem, depois de sair mais cedo pela primeira vez, e Mozão já ter pegado Pitico na escolinha (e eu correndo feito louca no S-Bahn para chegar no horário e não ser a última mãe a pegar seu fiho...) resolvemos dar um pulinho em uma loja e comprar Fraldas (aqui não se vende fraldas em farmácias e sim em drogarias, que são lojas que vendem produtos de limpeza, produtos de beleza, mas não vendem comida. Nos supermercados, ou melhor nos mercados, você encontra comida, mas nem sempre produtos de limpeza....cada um no seu quadrado). Esta loja, além do que eu já citei tem um pequeno espaço para utilidades domésticas, daquelas que você nunca vai usar, mas adoraria ter. E innntão me encantei com uma fritadeira pequenina. Coisa de anão mesmo, mas como o preço estava bom, resolvemos levar para experimentar (por 12€ se não fizesse bagunça e nem deixasse cheiro na casa toda já seria uma bela conquista).
Fritadeira e fraldas em punho voltamos felizes para casa. Na hora do jantar estreiei (tô confusa com tanto eiei) a fritadeira com bolinhos de bacalhau e para Pitico tinha macarrão com presunto defumado em molho. Fritadeira funcionou perfeitamente, mas tenho que confessar que um poquinho de cheiro deixou sim, mas bagunça nenhuma!
Depois de pegar o jeito da fritadeira Mozão se empolgou e eu fui tomar um merecido banho e lavar meus cabelos. Quando eu volto está o meu filho Gourmet, sentado em seu devido lugar, com babeiro e colher em punho comendo. Achei lindo, pois o figura se recusa a jantar direito e sempre nos aplica o golpe da mamadeira (finge que está com sono, pede “mamá”, deita no berço, a gente acredita, fica feliz, a mamadeira acaba e ele volta feliz para a sala e dura mais umas 4 horas para ir dormir de verdade). Mas olhei melhor e não acreditei no que estava vendo: Pitico não tinha apenas 1 prato, e sim 2 pratos na sua mesinha. Para uma mãe isso é algo que não se vê todo dia e como não acreditava em meus olhos, fui mais perto. Agora é que entra a parte Gourmet: Pitico comia feliz da vida o seu macarrão com.......iogurte natural adoçado com geléia de cerejas. Vocês estão entendendo? Uma colherada no macarrão, e outra no iogurte.... Tá bom que eu gosto de algumas comidas que misturam doce com salgado, mas confesso que fiquei com medo do resultado desta combinação e prefiro acreditar que ele teve apenas uma idéia para um business novo: Como economizar tempo nas refeições comendo prato principal junto com a sobremesa.
Innnntão que realmente a coisa piorou, como eu previ ontem.
Cheguei em casa e estava tudo muito quieto, já no hall imaginei que ou os 2 saíram ou Pitico já tinha sido levado por Morfeu. A segunda opção estava correta. Dormia, que parecia que não tinha nada, e meu coração de mãe se tranquilizou um pouco. Entrei, então, e beijei Mozão. Small talk sobre como tinha sido tudo, etc, e tal, e fui tomar uma ducha enquanto Mozão buscava minha pizza preferida: Pizza Hut (tá que não é saudável, tá que tem gente que diz que não é pizza de verdade, mas eu AMOOOO).
Saí do banho e tive a infeliz idéia de procurar remédios para gripe, e eis que Pitico acordou, suado e com febre. Acalmei, cantei, ninei e nada. Solução: bora com a momy ver que anda acontecendo no universo do mickey mouse.
Mozão chegou com a pizza e Pitico se jogou no colo dele. Daí um impasse: como vamos fazer para comer? Não podíamos colocá-lo na cadeirinha porque a capivarinha iria querer jantar de novo, e por causa da diarréia, que ainda persistia, melhor ficar só na banana e torras e longe de pizzas. Como Pitico estava enamorado do paizão, euzinha ganhei o privilégio de comer primeiro.
Todos jantados, banhados, medicados e relaxados, colocamos Pitico para dormir, acreditando que Morfeu tomaria conta da febre e dele durante a noite toda. Lá pela meia-noite (oi? Já percebeu que se alguma coisa ruim vai acontecer é sempre perto deste horário?) Pitico grita, chora, esperneia, e descobrimos que as assaduras estavam incomodando, bem como um popozinho fresquinho, feito na hora. Fraldas limpas e preguiça de ficar lá fazendo companhia, colocamos Pitico para dormir conosco. Mais um pouco de paracetamol, e vamos que vamos.
Soninho, sonhos estranhos, Pitico puxando meu cabelo e plin 4 da matina. Crise de choro que não parava com nada!! Nova fralda, e como estava muito quente, resolvemos dar um banhinho mais friozinho para abaixar a febre que já batia a casa dos 40 graus.
Diálogo:
- Mozão vamos para o hospital?
- Não, vamos esperar o supositório fazer efeito.
-(euzinha em lágrimas) Mas Mozão, naquele filme dos Anjos, com o cara do Senhor das Armas, a mãe dá banho friozinho na menina, mas ela já estava com o Anjo (pausa para explicar que quando estou nervosa não consigo me lembrar nem do meu próprio nome, quem dirá do nome do Nicolas Cage e do filme Cidade dos Anjos, mas sou capaz de lembrar detalhes bem pouco importantes para qualquer um). Não quer ligar para o seu pai? (euzinha já estava aos prantos, olhando para Pitico e segurando sua mãozinha tentando ver o anjo dele e pedindo para não levarem ele embora)
Mozão sentiu o drama e ligou para o Sogrão. Por sorte no Brasil ainda era meia-noite (oi? De novo) e Sogrão, que é médico, já está acostumado com os filhos ligando fora de hora. Resultado da ligação: já para o hospital.
Preparamos tudo e fomos, euzinha com Pitico no colo, ignorando as leis de cadeirinha, pois eu sou mãe e estou sofrendo e esta poderia ser a última vez que eu seguraria meu filho nos braços.
Hospital vazio, atendente simpática, euzinha explicando e preenchedo papéis com lágrimas nos olhos (alô? Eu reconheço que precisam de um pouco de informação, mas não dá pra deixar a burocracia para depois?). Somos encaminhados para a sala de exames e vem uma Pediatra ultra calma avaliar o Pitico.
Olha daqui, mede a febre acolá, e chega a conclusão que o Ibuprofeno começa a fazer efeito (a vá, Pitico já estava recitando o Alfabeto com Mozão na porta) e que ele tem uma leve irritação no ouvido, mas como é bem pouca ela prefere que o Pediatra do Pitico o avalie mais tarde e resolve não medicar, pois acredito ser ainda muito cedo para dar antibiótico. (Alô? Já eram 6 da matina e a gente estava sem dormir direito desde as 24h....mas como por aqui sempre há buts e mas e abers para dar antibiótico para crianças, resolvemos concordar e ir embora).
Realmente a Pediatra do hospital foi ultra atenciosa e deixou a gente mais calmos, e eis que estamos pegando os papeis dos exames para levar para o Pediatra do Pitico e nos despedindo e Pitico vira para a médica, diz tchau e larga um DANKE (obrigado em alemão). Ganhou a médica que deve ter tido o caso mais light da noite e também o paciente mais simpático).
Voltamos pra casa, Pitico capotado, dormiu até as 10h. De novo no Pediatra, mesmo quadro, tudo em ordem, apenas a diarréia fez com que ele perdesse um pouco de líquido, vamos repor com isotônico e esperar, rezando durante o fim de semana, para que ele se cure von allein, ou em bom português: sozinho. Qualquer problema é para voltar na segunda-feira.
Innnntão que Pitico não se deixa abalar, está lá brincando, enquanto Mozão e eu estamos acabados e com olheiras profundas, mas felizes de vermos nosso filho vivo e em recuperação.
Bom fim de semana à todos.
Ps: sabadão vou radicalizar e deixar minha loirice de lado, aguardem cenas da próxima morena de Berlim.
Brazuca,Relações Públicas, Pé Vermelho, nervosinha, estouradinha, mas cheia de boas idéias. Precisa de Ajuda? Mande um email!! E-mail
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