Então, a Copa se foi, o Brasil também, e a vida continua.
Estou aqui num momento de reflexão, ou de faniquito mesmo, como diz meu querido cabeleireiro.
Quando nos mudadmos para Berlim, sempre tivemos uma métrica para verificar o tempo de permanência por aqui. Tipo, enquanto a balança estiver equilibrada ou pendendo para o lado alemão, vamos ficando.
Mas tenho que dizer que ultimamente a minha balancinha interna tem tido vontade de pender para o lado do Brasil. Calma, não estamos pensando em voltar.
Mas, neste meu momento de faniquito, chego a conclusão, que para mim a vinda para a europa foi uma involução. Calma de novo. Vamos deixar de lado coisas como: aprender uma língua nova, ter as vantagens de morar em um país de primeiro mundo, conhecer outra cultura, etc...Coisas importantes, mas que neste texto vão ficar sem importância.
Geo uma vez disse que brasileiros de classe média não ficam morando muito tempo fora do Brasil. Na época discutimos bastante, e eu discordava. Hoje, num momento faniquito, estou tendendo a concordar. Aí vc me pergunta por que, criatura? Para responder, tenho que contar um pouco de estória...
Existem muitas brasileiras casadas com alemães vivendo por toda Alemanha e Europa. Muitas delas tinham uma vida simples no Brasil. Muitas passavam até necessidades, mas tiveram a sorte de se casar e vir morar na Europa. Isto ocorre normalmente com pessoas mais humildes e de classes sociais menos abastadas. Para muitas destas mulheres a vida na Europa é um conto de fadas que se torna realidade. Finalmente vão ter acesso a tudo que sonharam. E passam, então, a viver a vida do marido, e se sentem gratas por estarem morando aqui, pois comparativamente seu poder econômico aqui é maior, e a possibilidade de ter um filho educado e até cursando uma faculdade não é um sonho distante.
Feliz, ou infelizmente, para mim é diferente. Primeiro que sou casada com um brazuca e não venho de uma família abastada, mas também não venho de uma família paupérrima. Estudei sempre em escolas públicas e sempre trabalhei. Quiçá na época de faculdade eu trabalhava e estudava. Mas eu tinha certas mordomias que por aqui são realmente artigo de luxo. Agora começa o faniquito.
Quando eu morava no Brasil eu:
- tinha um carro, não era uma Mercedes, mas me levava onde eu queria ir;
- ia na manicure toda semana;
- ia no cabeleireiro e saia de lá me achando modelo de comercial de shampoo;
- tinha uma diarista que limpava minha casa, passava e guardava minha roupa, e fazia isso com calma, porque eu a pagava por dia de trabalho e não por hora;
- ia na farmácia e comprava amoxilina ou qualquer outro antibiótico e ficava boa logo logo, com o detalhe de ter farmácias abertas no fim de semana e até 24h;
- comia requeijão, pão de queijo e picanha;
- passeava aos domingos no shopping, depois de ter comido em algum lugar;
- fazia compras no supermercado a qualquer dia da semana ou hora do dia;
- era atendida por garçons com muita simpatia;
- se eu tivesse tido meu filho no Brasil, teria sido por cesariana com hora marcada e eu escolheria em que escolinha ele iria estudar
- se eu levasse meu filho doentinho no pediatra, este iria receitar algum remédio para que meu filho ficasse bom logo e não sofresse
- se eu levasse meu filho na escola, esta funcionaria pelo menos a partir das 7h30 e ficaria aberta pelo menos até as 18h30
Morando na Alemanha, eu tive uma involução:
- tenho um Mercedes, que fica estacionada na frente da minha casa e vou trabalhar de ônibus e metro. (Desta parte eu não reclamo, eu acho legal e até bem ecológico, afinal o sistema público de transporte daqui nem se compara com os do Brasil)
- eu mesma tenho feito minhas unhas porque é difícil encontrar uma manicure brasileira. Já tentei me adaptar às alemães, mas serviço não é o forte delas, e quando se deparam com minhas unhas limpas e de cuticulas tiradas, acham lindo e dizem que não tem nada pra fazer ali. Aí passam esmalte só no meio da unha, porque assim não precisa limpar as beiradas e nem em cima, ahh, e cobram uma fortuna por esta falta de serviço (tá bom pra vc mulher?);
- há um mês encontrei um cabeleireiro brasileiro fofo que me entende, mas até então era um sofrimento. Saía dos salões alemães parecendo Poodle em dia de tosa e com uma sensação horrível de ter pagado um absurdo para uma porcaria de serviço;
- tenho uma faxineira que só limpa onde o padre passa, e não posso exigir muito mais porque ela cobra por hora, e me custaria uma fortuna se ela fizesse o serviço como eu quero;
- remédio só com prescrição média, caso contrário ar fresco e água são santos remédios por aqui;
- salsicha, batata e chucrute
- ou faço almoço em casa ou vamos tomar um tal de brunch, que é uma mistura de café com almoço, e depois casa, porque shopping aqui não abre aos domingos;
- perco meu sábado fazendo todas as compras que não consigo fazer durante a semana porque estou trabalhando, e porque tudo fecha as 20h no sábado;
- a máxima “o cliente tem razão” na Alemanha se chama “o garçom é o rei”;
- comecei tendo meu filho por parto natural, sofri, e depois terminei em uma cesariana de emergência porque eles esperaram demais a natureza agir;
- na maioria das vezes o pediatra não gosta de me ver em seu consultório e sempre acha que Lukas está bem e com ar fresco e muito líquido ele vai melhorar rapidinho;
- a escolinha do Lukas abre as 7h30, mas fecha as 16h30, porém eu trabalho até as 18h, o que causa um certo conflito. Detalhe: a escolinha foi quem nos escolheu.
Perceberam a involução? Sentiram o stress? Agora digam se não tenho motivos para ter um faniquito?
Bjs,
Ps aos desavisados: este texto tem pretensões de ser cômico.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Copa do Mundo 2010
Que loucura, já começou!!! Aliás o Brasil até jogou. Não fez feio, ganhou. Mas também não fez bonito. Fez eficiente, do meu humilde ponto de vista de torcedora.
Por aqui, muitos comentaristas alemães falaram do jogo e senti um certo preconceito aliado a uma decepção. Na verdade acho que era dor de cotovelo mesmo.
O futebol arte do Brasil deu lugar a um futebol tático, cheio de toques e análises. Espera-se isso do futebol alemão, e por isso acredito que os comentaristas procuraram diminuir a atuação do Brasil.
Alemanha jogou muito bem. Venceu por 4 gols a seleção da Austrália. Mas pensemos: mais da metade dos jogadores alemães jogam em seu pais, e pelo menos 5 deles jogam no campeonato nacional no mesmo time, ao passo que a tradição de futebol na Austrália beira a inexistência e todos os jogadores ou jogam em pequenos times locais ou estão por aí, espalhados pelo mundo.
Eu acredito sim em entrosamento, química em campo. Afinal, são 11 pessoas que precisam confiar um no outro e deixar brilhar quando for o momento.
Voltando ao jogo do Brasil, senti falta de personalidade. Ou melhor dizendo, senti falta de jogadas individuais. Parecia que todos tinham que tocar uma determinada quantidade de vezes na bola, tipo um comunismo futebolístico onde todos têm que contribuir em igualdade. Mas futebol é um jogo de equipe onde se precisa de estrelas. Precisa-se daquela pessoa que corre mais do que as outras, do outro que chuta melhor, do outro que cobra escanteio como ninguém, do zagueiro "muro" que não deixa nada passar.
Para mim parecia que todos jogavam em todas as posições, sem ninguém com uma habilidade especial.
Bom, como brasileira que não desiste, continuo torcendo. Que venha a Costa do Marfim.
Por aqui, muitos comentaristas alemães falaram do jogo e senti um certo preconceito aliado a uma decepção. Na verdade acho que era dor de cotovelo mesmo.
O futebol arte do Brasil deu lugar a um futebol tático, cheio de toques e análises. Espera-se isso do futebol alemão, e por isso acredito que os comentaristas procuraram diminuir a atuação do Brasil.
Alemanha jogou muito bem. Venceu por 4 gols a seleção da Austrália. Mas pensemos: mais da metade dos jogadores alemães jogam em seu pais, e pelo menos 5 deles jogam no campeonato nacional no mesmo time, ao passo que a tradição de futebol na Austrália beira a inexistência e todos os jogadores ou jogam em pequenos times locais ou estão por aí, espalhados pelo mundo.
Eu acredito sim em entrosamento, química em campo. Afinal, são 11 pessoas que precisam confiar um no outro e deixar brilhar quando for o momento.
Voltando ao jogo do Brasil, senti falta de personalidade. Ou melhor dizendo, senti falta de jogadas individuais. Parecia que todos tinham que tocar uma determinada quantidade de vezes na bola, tipo um comunismo futebolístico onde todos têm que contribuir em igualdade. Mas futebol é um jogo de equipe onde se precisa de estrelas. Precisa-se daquela pessoa que corre mais do que as outras, do outro que chuta melhor, do outro que cobra escanteio como ninguém, do zagueiro "muro" que não deixa nada passar.
Para mim parecia que todos jogavam em todas as posições, sem ninguém com uma habilidade especial.
Bom, como brasileira que não desiste, continuo torcendo. Que venha a Costa do Marfim.
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Rede social e ou seu social na rede?
Várias "tools" para dizer ao seu colega que necessita de ajuda em um "PPT". Envia um email, faz uma "call" pelo Skype, "twitta" e adiciona no Facebook.
Tudo isto para estar "IN". Tudo isto para fazer parte de um seleto clube global de anônimos. Anônimos desconhecidos, mas que de alguma forma reconhecem algo entre si. Quanto mais anônimos em diferentes redes, mais popular e querido este usuário se torna.
- Dá cá um abraço virutal! (Via emoticon)
- Não acredito que você ainda não tem esta APP!!!
E assim os anônimos escrevem textos com símbolos estranhos que tentam traduzir um sorriso, um olhar cansado, um momento de saco cheio, um beijo....
Prefiro meus 5 amigos pessoais que sei endereço de correspondência e telefone de cor, e ,que de qualquer parte do mundo, posso mandar uma longa carta ou um curto postal dizendo, e demonstrando simplesmente, que me lembrei dela.
Pegar o telefone e ligar apenas para dizer "Oi" e ouvir e, principalmente, sentir como a minha amiga está.
Rede Social, sim obrigada, mas apertos de mãos e olhos nos olhos, só para ir contra a maré e se exercitar um pouco.
P.s: esta blogueira não tem nada contra nenhuma rede social, aliás acha muito interessante o conceito e o business moda. Ela é apenas uma jovem velha que gosta ainda da maneira antiga de conservar amizades.
Tudo isto para estar "IN". Tudo isto para fazer parte de um seleto clube global de anônimos. Anônimos desconhecidos, mas que de alguma forma reconhecem algo entre si. Quanto mais anônimos em diferentes redes, mais popular e querido este usuário se torna.
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E assim os anônimos escrevem textos com símbolos estranhos que tentam traduzir um sorriso, um olhar cansado, um momento de saco cheio, um beijo....
Prefiro meus 5 amigos pessoais que sei endereço de correspondência e telefone de cor, e ,que de qualquer parte do mundo, posso mandar uma longa carta ou um curto postal dizendo, e demonstrando simplesmente, que me lembrei dela.
Pegar o telefone e ligar apenas para dizer "Oi" e ouvir e, principalmente, sentir como a minha amiga está.
Rede Social, sim obrigada, mas apertos de mãos e olhos nos olhos, só para ir contra a maré e se exercitar um pouco.
P.s: esta blogueira não tem nada contra nenhuma rede social, aliás acha muito interessante o conceito e o business moda. Ela é apenas uma jovem velha que gosta ainda da maneira antiga de conservar amizades.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Conspiração
Conspiração de todo tempo voltam a tona em pleno século 22.
Anos de guerra, anos de reclusão, anos de experiência que se traduzem em desconfiança.
Desconfiança mútua: estado e cidadão.
Estado passado, cidadão inseguro.
Necessidade de controle, necessidade de ser controlado.
Isso faz da vida sua missão. Isso faz de sua missão também sua vida e sua natureza.
Natureza, esta, toda ignorada.
Natureza obscura, sombria e inquieta.
Parceira da Vida e amiga do Tempo.
Assim, então, começa ou nasce a Conspiração.
Anos de guerra, anos de reclusão, anos de experiência que se traduzem em desconfiança.
Desconfiança mútua: estado e cidadão.
Estado passado, cidadão inseguro.
Necessidade de controle, necessidade de ser controlado.
Isso faz da vida sua missão. Isso faz de sua missão também sua vida e sua natureza.
Natureza, esta, toda ignorada.
Natureza obscura, sombria e inquieta.
Parceira da Vida e amiga do Tempo.
Assim, então, começa ou nasce a Conspiração.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Feliz Aniversário Gu e JP
Hallöchen,
Este post é para comemorar o Aniversário dos meus queridos sobrinhos, Gustavo e João Pedro.
Batbeijos corujas da Titia e do Titio.
BatGruß,
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Sobrinhos
Mães e outros

Hallöchen,
Dia vai, dia vem e tenho a sensação de que não estou fazendo nada, apesar de fazer mil coisas no meu dia.
Ando meio desmotivada a escrever sobre Brasil e Alemanha, acho que já cobri a maior parte das diferenças que interessavam. Portanto, a partir de agora, vou escrever sobre o que me der na telha. Quem sabe não fica mais interessante?
Bom, hoje quero dar um Feliz Dia das Mães atrasado e escrever um verso que vi no Blog da Luciana Leal: http://minhapeleemelhorqueasua.blogspot.com/
“Optar por um filho é decidir em dado momento ter o seu coração caminhando fora do corpo para sempre.” Elizabeth Stone
Sabe que desde que Lukas nasceu eu me sinto em um misto de Abençoada e Amaldiçoada. Explico: Abençoada porque ele é coisa mais linda, fofa e especial que poderia acontecer na minha vida. Sempre tive paixão por crianças. E amaldiçoada porque desde que voltei a trabalhar e ele começou no berçário ele tem tido uma doença atrás da outra, o que me leva a pensar que isto é um castigo porque voltei a trabalhar e não peguei mais licença maternidade como toda alemã faz.
Minhas amigas, as professoras do berçário e o pediatra me dizem que isto é normal na idade dele e que acontece cedo ou tarde com crianças que começam a ter contacto com outras crianças. Dizem-me até que isto é bom para o sistema imunológico dele. Mas confesso que sempre me pergunto, será que ele não é pequeno demais? Será que eu não deveria trabalhar menos? Será que eu não deveria me dedicar mais a ele?
Assim como o verso da Elizabeth Stone, meu coração já não bate mais no meu peito, mas pula pra fora e me sinto vazia quando meu pitico não está comigo.
E vocês, o que acham?
Gruß,
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Trabalho
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Blue
O casamento é a única coisa que dá à mulher o prazer de uma companhia e a perfeita sensação de solidão ao mesmo tempo.
Helen Rowland
Renato Russo cantava: Quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não utilize o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei. Com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei. Tenho o que ficou e tenho sorte até demais, como sei que tens também...
Para ler ouvindo: http://forum.cifraclub.com.br/forum/11/161734/
Hoje estou meio Blue.
Bj
Helen Rowland
Renato Russo cantava: Quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não utilize o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei. Com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei. Tenho o que ficou e tenho sorte até demais, como sei que tens também...
Para ler ouvindo: http://forum.cifraclub.com.br/forum/11/161734/
Hoje estou meio Blue.
Bj
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